
No sítio do meu avô, no interior de SP, havia um pequeno pomar, com meia dúzia de pés de laranja, mas que, no meu imaginário infantil, era uma verdadeira floresta fechada e perigosa. Meu avô alimentava minha imaginação com histórias de sacis, bichos diversos e o temido curupira, que viveriam em harmonia no local. Era um truque dele para evitar que os netos fossem brincar no pomar à noite.
De todos os seres, meu maior medo se fixava no curupira. Como eu poderia escapar de um ser que tem pés virados e alma traquina? Já grande, descobri que o curupira era do bem, pois só atormentaria com assovios e ilusões aqueles que fossem até a floresta cortar lenha ou maltratar bichos inocentes. Para provar que sou corajosa, na Amazônia fui pessoalmente cumprimentar o curupira.
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